sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ernani Maurício Fernandes

Uma Guitarra Uma Revolução

Rock n Roll Stories

Ao Bob Dylan
Que desde a sua tenra juventude
tem sustentado o espírito de
contestação com o Mundo

Aos Rolling Stones
Por manter acesos
todos os propósitos
da revolução

Ao Tom Waits
Além do meu cantor preferido
também
pelo seu radicalismo
diversificado da Arte

A Rita Lee
A garota mutante
da minha geração mutante

Em Memória
Cássia Eller
Raul Seixas
Cazuza
Renato Russo
Jimi Hendrix
Janis Joplin
Jim Morrison
John Lennon
George Harrison
Kurt Cobain


Apresentação

Sinto-me autorizado por mim mesmo de escrever sobre a história do rock n roll, razão pela qual, está no fato de pertencer aos anos 50, o início do pós-guerra ou guerra fria. Foi quando a Guitarra elétrica foi tomada pelas mãos da Juventude e com acordes dissonantes provocou a Revolução do Século XX.

Estava e ainda estou presente nesta revolução, aos solos intermináveis de Jimi Hendrix ou nos versos poéticos e furiosos de Bob Dylan, de Jim Morrison ou de John Lennon. Sem esquecer da voz sublime e demoníaca de Janis Joplin.

Assim, nos anos 50, de um lado, Elvis Presley era um jovem moderno, mas também era um representante da ideologia dos fuzileiros navais americanos que, em alta, compactuavam com a idéia da expansão do império americano, mas do outro lado havia Johnny B. Goode do rebelde Chuck Berry.

Assim, nos anos 60, os Beatles do iê-iê-iê, se tornaram Cavaleiros da Rainha, comprometimento com a ideologia conservadora do Império Britânico e a Jovem Guarda em sua condição terceiro-mundista, era uma versão mal produzida destas tendências da juventude. Havia uma aspiração pelo sucesso imediato.

Do outro lado, Bob Dylan era um jovem transgressor e um representante da ideologia dos beatniks que, em baixa, compactuavam contra a idéia do American Way of Life. A canção Like a Rolling Stone, de Bob Dylan, é a obra artística que mais mudou ao mundo, segundo uma pesquisa realizada entre personalidades da indústria musical e do cinema.

Os Rolling Stones eram anjos caídos na realeza britânica e o Tropicalismo na sua condição terceiro-mundista era uma versão antropofágica de todas as tendências da juventude.

Os Beatles representam os dois tempos, de 60 a 66, o iê-iê-iê, com seus terninhos e franjas, alimentados pelos gritos histéricos do público feminino, e o de 67 a 70, a fase psicodélica com Sergeant Pepper’s, devorados por ambições pessoais. Havia uma aspiração para o sucesso com a imortalização da Arte.

Esta fase de 67 a 70 é para mim o período mais importante nos anos 60, através das conturbações históricas e explosões da juventude transgressora com a conscientização conflitante da individualidade e a coletividade.

Assim muito bem representado por Woodstock e o fim dos Beatles. Em 71, John Lennon resumiu brilhantemente esta sensação com a música God - The dream is over, que em 72, Gilberto Gil recriou essa premissa de forma tropicalista e antropofágica com a belíssima canção O Sonho Acabou. A partir desse momento, começa outro período, os anos 70.

O rock progressivo muito bem representado por Syd Barret e o grupo Pink Floyd e o heavy metal pela subida ao céu de Led Zeppelin. A fúria do punk rock Sex Pistols e The Clash e o glamour de Elton John. O Rock Tupiniquim de Rita Lee e Raul Seixas.

Os anos 80 - 90 – 00 podem ser considerados como um período das décadas perdidas, apesar de grandes avanços econômicos e tecnológicos pela globalização e pelos propósitos viscerais da economia de mercado, encontramos a aridez intelectual, principalmente no que se refere ao pensamento filosófico e nas manifestações artísticas de formas generalizadas.

A música, principalmente, o rock, não fugiu da regra. Tornou-se Pop, mas não no sentido lato dos anos 60, o de contraponto em que estava sustentado pela experimentação de rupturas estruturais nos âmbitos ideológicos, poéticos e musicais, sem a orientação mercadológica da sociedade de consumo. A Arte era consumida pela sua inovação, pela sua postura engajada e por desafios fundamentais, sejam na política como na estética.

O Pop da atualidade tem a característica fundamental do pós-moderno, onde se fundamenta pelo mercado de consumo, que tem regras rígidas dos produtos de consumo e adequado aos parâmetros da cultura de massa. Deve-se adaptar os conceitos artísticos através de pesquisas encomendadas pela visão unilateral do Marketing, que se tornou neste período a Vênus Platinada dos podres poderes.

Desta maneira encontramos anacronismos no mundo das Artes, onde o sucesso torna-se relevante com a quantidade de venda de produtos. O que era ruptura, tornou-se adequação.

Assim podemos pensar em Michael Jackson e Madonna e todos os trajetos da New Wave, do indie, do grunge, do metal, do gótico e do rock brasileiro dos anos 80 e do pop rock dos anos 90. As gravadoras e os meios de comunicações não são mais dirigidas pelos diretores artísticos, deram os lugares para os diretores de marketing, que conduzem as culturas de massas dentro de padrões preestabelecidas pela política efêmera do consumismo.

Devo lembrar que não se trata de conservadorismo de minha parte, mesmo por que sempre argumento que os Rolling Stones são as afirmações de que não foram eles feitos pelo marketing e sim o marketing que foi feito por eles. O marketing é um suporte e não a razão da idéia – Rolling Stones.

Para tanto devo lembrar a declaração de Bob Dylan em 1966, sobre o papel do artista – O artista nunca deve ser refém do publico, e sim o público que deve aceitar os desafios propostos pelo artista. Existe algo na alma do artista que possibilita estar na frente de todos, de antecipar situações e tendências, isto acontece porque ele transforma o tempo em que vive em seu próprio tempo, tornando a obra, não somente um comentário daquela época, mas também sobre todas as épocas.

Ernani Maurício Fernandes - 2006




sou dono dos anos 60
quem se atreve a discutir comigo ?

eu te dou os anos 60
se quiser
pode ficar com eles

bob dylan
rolling stone brasil
outubro de 2006


Simpatia para o Diabo

Por favor, permita
Que eu me apresente
Sou um homem de posses e bom gosto
Estou na área há muito tempo
Despi muitos homens de alma e fé
Eu testemunhei quando Jesus Cristo
Teve seu momento
De dúvida e dor
Me certifiquei de que Pilatos lavasse suas mãos
e selasse seu destino
Prazer em conhecê-lo
Espero que descubra
O meu nome
Mas o que confunde você
É a natureza do meu jogo
Fiquei rondando São Petesburgo
Quando vi que era hora de mudanças
Matei o czar e seus ministros
Anástacia gritou em vão
Guiei um canhão, Fui general
Quando a blitzkrieg explodiu
E os corpos se putrefizeram
Prazer em conhecê-lo
Espero que descubra
O meu nome
Mas o que confunde você
É a natureza do meu jogo
Assisti com prazer
Enquanto reis e rainhas
Lutavam durante dez décadas
Pelos deuses que criaram
Gritei: “Quem matou os Kennedys?”
Quando, no final das contas, Fomos você e eu
Por favor, permita
Que eu me apresente
Sou um homem de posses e bom gosto
Montei armadilhas
Para os trovadores
Que foram mortos
Antes de chegar a Bombaim
Prazer em conhecê-lo
Espero que descubra
O meu nome
Mas o que confunde você
É a natureza do meu jogo
Vamos lá!
Prazer em conhecê-lo
Espero que descubra
O meu nome
Mas o que confunde você
É a natureza do meu jogo
Assim como todo policial
É criminoso e todos os pecadores, santos
Como cara é coroa
Chame-me Lúcifer
Porque eu preciso
De alguma limitação
Portanto
se me encontrar
Seja cortês
Tenha compaixão
E bom gosto
Use toda a sua polidez
Ou destruirei a sua alma
Prazer em conhecê-lo
Espero que descubra
O meu nome
Mas o que confunde você
É a natureza do meu jogo
Vamos lá!
É isso aí!
Diga-me baby
qual é meu nome
Diga-me gata
qual é?

Rolling Stones



Uma Guitarra
Uma Revolução

1
Anos 40 – o pesadelo
B. B. King
Muddy Waters
John Lee Hooker
Woody Guthrie
Johnny Cash

2
Anos 50 – O sonho dourado

3
Guitarra e Revolução
Rock and Roll

4
Bill Haley

5
Chuck Berry

6
Little Richard


7
Elvis Presley

8
Rock Nacional
Tony e Celly Campelo

9
Rock and Rebels
Anos 60 – O sonho lisérgico

10
Bob Dylan

11
Jimi Hendrix


12
Janis Joplin

13
Joan Baez

14
Jim Morrison

15
Carlos Santana

16
Steppenwolf

17 Crosby Stills Nash And Young

18 Paul Simon & Garfunkel


19
Rock da Califórnia

Beach Boys
Creedence Clearwater Revival
The mamas and the papas
Grateful Dead
Jefferson Airplane
Canned Heat

20
Johnny Winter

Invasões britânicas

21
The Beatles

22
The Rolling Stones


23
The Who

24
Blues Rock
Eric Clapton
John Mayall
Cream
Jeff Beck

25
Traffic

26
Donovan

27
The Moody Blues

28 Eric Burdon and The Animals

29
Joe Cocker

30
Ten Years After

31
Paraíso na Califórnia

32
Civilização psicodélica lisérgica

33
Route 66 - U.S. Highway 66
A estrada mais pop do mundo

34
Woodstock in the America

35
Os Malditos do Rock
Velvet Underground
Lou Reed
Iggy Pop and Stooges Frank Zappa
Andy Warhol
Robert Crumb

36
A Jovem Guarda
a clonagem do Rock and Roll

37
Mutantes e o Tropicalismo
38
Anos 70 – O sonho Acabado

39
John Lennon


40
Concerto de Bangladesh

41
Rock Progressivo
A erudição do Rock
Pink Floyd
Jethro Tull
Genesis
Emerson Lake Palmer
Invasão do rock progressivo alemão
Kraftwerk

42
Heavy metal e Punk Rock
A transgressão do Rock

Black Sabbath
Led Zeppelin
Deep Purple
Aerosmith
Van Halen
Joy Division
Ramones
Sex Pistols
The Clash

43
Androginia do Rock
Glitter ou Glam Rock

David Bowie
Iggy Pop
T Rex
Elton John

44
Bruce Springsteen

45
Tom Waits

46
O desbunde do Rock - Brasil

Caetano&Gil&Gal
Jorge Mautner

47
Rock Tupiniquim – Brasil

Rita Lee
Raul Seixas
Zé Ramalho

48
Anos 80 – 90 – 00 O sonho Perdido

49
Michel Jackson

50
Madonna

51
U2

52
Dire Straits

53
Joe Satriani

54
Steven Vai

55
Indie rock

The Smiths
Talking Heads
Oasis
Sonic Youth

56
New wave rock

Duran Duran
Roxy Music
The Police
Elvis Costello
Boy George

57
Gothic Rock

Depeche Mode
The Cure

58
Metal Rock

Sepultura
Rage Against the Machine
Metallica
Megadeth
Red Hot Chili Peppers
Bon Jovi
Guns N' Roses

59
Grunge rock

Nirvana
Alice in Chains
Pearl Jam
Soundgarden

60
Década de 2000: A Explosão Pop

61
Rock no Circo Voador


Barão Vermelho
Cazuza Kid Abelhas e Abóboras Selvagem
Blitz Vimana
Lobão
Lulu Santos Ritchie

62
Rock Paulista


RPM
Titãs
Ultraje a Rigor
Ira!
Ratos de Porão

63
Rock de Brasília

Paralamas do Sucesso
Legião Urbana
Capital Inicial

64
Rock do Sul

Engenheiros do Havaii
Os Replicantes

65
Mangue beat

Chico Science e Nação Zumbi
Mundo Livre SA
Otto

66
Rock Pop dos anos 90

O Rappa
Mamonas Assassinas
Planet Hemp Os Raimundos
Skank
Charlie Brown Jr.
Pato Fu
Pitty

67
Marcelo Nova e Camisa de Vênus

68
Cássia Eller

69
In the World Festival Rock

Rock Rio
Live Aid - Live 8
Loopalloza
Abril pro rock


Anos 40 – O pesadelo


O ano é 1945

O Mundo explodiu
Na Segunda Guerra Mundial
com a desintegração Atômica

Em Hiroxima e Nagasaki

A explosão do Cogumelo

O Totalitarismo
nipo-nazi-fascista-stalinista
e o
liberalismo anglo-americano

Foi a partir desta época
que o Mundo
conheceu a Guerra Fria

E também
conheceu
B.B.King Muddy Waters
Woody Guthrie
que foram os influenciadores musicais
de todas as gerações posteriores
do mundo contemporâneo


Anos 50 – O sonho dourado

Pós-Guerra
ou Guerra Fria

Dois blocos ideológicos
em confronto

Dialética materialista
na corrida armamentista

E.U.A.
Liderança
do bloco da direita

URSS
Liderança
do bloco da esquerda

Inimigos letais

Maniqueísmo
do Bem e do mal

Roosevelt e Stalin
CIA e KGB
Macartismo e Cortina de Ferro
American way of life e Goulags

Sociedade de consumo
Consumo da sociedade

Beatniks e comunistas
Hollywood e James Dean
Fidel Castro e Che Guevara
Revolução Cubana
em Sierra Maestra


Anos 60 – O sonho Lisérgico


Se nos anos 50
era rebeldia sem causa

Nos anos 60
era rebeldia com causa

A causa de uma rebeldia
da Guerra Fria

Dois blocos ideológicos
em confronto

Dialética materialista
na corrida armamentista

E.U.A.
Liderança
do bloco da direita

URSS
Liderança
do bloco da esquerda

Inimigos letais

Maniqueísmo
do Bem e do mal

John Kennedy e Krutchev
CIA e KGB
Cortina de Ferro & Revoluções das Bananas

Hippies e Anarquistas
Drogas Sexo e Rock n roll

Pop & Underground
Contracultura

Flower Power
Woodstock
Paz e Amor

Contestação Estudantil
Barricadas em Paris
Primavera em Praga

Marcha de Washginton
Batalha da Maria Antonia
Passeata dos 100 mil

Guerra do Vietnã
Napalm & Agente Laranja
Assassinato de Che Guevara
Martin Luther King

Corrida Espacial
Descida do Homem na Lua

Assim
a Juventude se revolta

A metralhadora da Guerra
pela Guitarra da Revolução
do Rock and Roll



Guitarra e Revolução

Assim
a Juventude se revolta

A metralhadora da Guerra
pela
Guitarra da Revolução
do Rock and Roll

A Guitarra
tem um história antiga
até a guitarra elétrica do Rock

Na antiguidade
existiram
as Cítaras gregas persas indianas
como as precursoras
assim como
no Egito e na Ásia Menor
o alaúd o kinnor o nebel

Mas
é na Espanha e Itália
Renascentista
que a Guitarra passa a existir
como instrumento

Entretanto
o que nos interessa
é a Guitarra Elétrica do Século XX

Guitarras flat-top e das archtop na América
os modelos elétricos em 1930
de experimentos com a amplificação

Andres Segovia Ramón Montoya e Robert Johnson

A guitarra elétrica foi pioneira no jazz
por Charlie Christian nos anos 30

Mas
é Leo Fender
ainda nos anos 40
com o músico/inventor Doc Kaufmann
requereram a patente de um captador montado
em um corpo sólido único

Era o nascimento da Guitarra Elétrica
a Fender Company ainda molda
o modo como o mundo toca guitarra

o rock começa com um grito da guitarra
e do grito do negro escravo
no surgimento do blues
resultado da fusão entre a música negra e a européia

A tristeza melancólica - o rhythm and blues

A música do branco - country and western
o sofrimento dos pequenos camponeses
o lamento ruralem meio a disputas entre o capitalismo e o comunismo
e a uma valorização do consumismo
da modernização fruto do progresso científico
gerado no pós-guerra

Dramas adolescentes
nas grandes metrópoles da América

O rock’n’roll como um movimento da contracultura

A Geração Beat
maldita e condenada
pela Era de Eisenhower
considerada a guardiã da paz no mundo
apesar da Guerra do Vietnã

A rebeldia
do O Apanhador no Campo de Centeio de J. D. Salinger
do OnThe Road de Jack Kerouac
do O Selvagem da Motocicleta de Marlon Brando
do Juventude Transviada de James Dean
da delinqüência da gangue juvenil
e da grande revolução - Sexo e Tabu

Rock and roll
gíria dos negros americanos
o ato sexual
no ritmo da dança pagã


Civilização psicodélica lisérgica

Entre
os anos 60
mais precisamente no triênio
67/68/69
tivemos a presença
multidisciplinar
da Civilização Psicodélica Lisérgica

Posso considerar
neste triênio
que o livro da História
foi modificado
pela revolução da Juventude

Nesta época
o mundo se encontrava
na beira do abismo existencial

o medo e o pânico
de uma sociedade humana
organizada sob os preceitos
do Imperialismo da Guerra Fria
transtornava a capacidade existencialista
sobre o aqui e o agora

o medo e o pânico
eram os signos de uma sociedade pós-moderna

a Civilização Psicodélica Lisérgica
era o contraponto da Infelicidade Humana
na corrida espacial
Lunik Apolo
Homem na Lua
Woodstock na Terra

A Metafísica poderia ser uma das razões de Tudo
A Alucinação era o Ponto de Partida

Meu Mundo não era mais Meu
e muito menos nosso

O Mundo era de todos os mundos
sem sabermos de era nosso

A Bomba Nuclear
era o vetor da Guerra Fria

Um telefonema equivocado
era o suficiente para o Mundo Acabar

A amargura e a derrota
a angústia e a dor da morte
o extermínio em massa

A sociedade vigiada
a tortura declarada
o aparthaid entre as classes

O terrorismo libertário
a anarquia desgovernada
o êxtase da desgraça anunciada

A sorte e o sexo
o azar e a família
o homem e a mulher
a loucura da Humanidade

Eram suficientes de que o Mundo
estava por se acabar
em explosões nucleares em todo o Planeta

Uma visão

Única e imprecisa da realidade
devido a sua diversidade sobre a irrealidade

Leary e Ginsberg
Beatnik
LSD
ácido Lisérgico Dietilamida
Lysergic Acid Diethylamide
Dr. Albert Hofmann em 1938

fungo no centeio
ergot
estímulo da circulação
do sangue no corpo humano

Em 1942
os agentes da OSS
Office of Strategic Services
em um programa ultra secreto
na defesa psicológica do espião
em defesa de qualquer segredo

o uso de drogas
cânabis barbitúricos peyote cafeína
programa da CIA
MK-Ultra TSS Artichoke
LSD droga sem odor incolor
e eficaz com apenas uma gota

psico-ativos
grande euforia na esfera da psicologia
em relação à possibilidade de aprender
sobre a mente humana
a loucura

Prêmio Nobel
Dr. Humphry Osmond
mescalina
a palavra psicodélica

manifestações da mente
do subconsciente
sem ordem ou padrão
previamente previsível

Alfred M. Hubbard espião americano
uma mente doutrinada por teologia

Aldous Huxley
Admirável Mundo Novo
mescalina & LSD

Científico & Metafísico
culturas e civilizações

Pentágono
guerra química

Agent Orange
gás de loucura
em guerrilha
guerras & mortes

CIA
as agências de espionagem
operações táticas militares

A alucinação
a noção do tempo e espaço
realidade e sonho

Dr. Richard Alpert e Dr Timothy Leary
Estudantes de Harvard
circuito jazz de Nova York
Dizzy Gillespie e John Coltrane

Ken Kesey e os Merry Pranksters
em San Francisco - 1965
grandes festas chamadas Happenings
ponche aditivado com LSD

Debatiam e promoviam
a droga que expande a mente humana
consciência budista maoísta taoísta
materialista existencialista marxista
naturalista inconformista

Sobretudo
a Metafísica

Tocavam música bem alta
faziam brincadeiras utilizando luz

Os jogos e brincadeiras do Acid Tests
Turn on tune in drop out
Acid Rock e a Revolução Psicodélica
LSD teria uma profunda
influência
na música das pessoas
no cinema das pessoas
no teatro das pessoas
na pintura das pessoas
na poesia das pessoas
na dança das pessoas
na arquitetura das pessoas
nas roupas das pessoas
nos amores das pessoas



Route 66 - U.S. Highway 66
A estrada mais pop do mundo

De Los Angeles a Chicago ao longo do espaço

A cruzada do Tempo

Aventureiros uma jornada desesperada de poeira e desolação
o caminho para fama e fortuna
A Rota 66 era selvagem e solitária doce e infinita
Também uma sedutora para roubar o coração

O belo retrato da América
através de suas 2.400 milhas
de paisagens inesquecíveis
campos de milho
cidades-fantasmas
motéis baratos
e postos de gasolina last chance

O sorriso da garçonete
ou o jukebox com direito
a três melodias por 25 cents...

A Rota 66
A estrada mais pop do mundo

Um Mito que nasce na década de 20
Vários símbolos para a América
Nos anos 30
época da Grande Depressão
a estrada passaria a significar esperança

Bandos de desempregados de Chicago
e de grandes cidades da costa leste usavam a via
para se dirigir rumo ao oeste à procura de uma vida melhor

Na década de 40
tempos de Segunda Guerra Mundial
a Route 66 simbolizaria a união do país

Tomada por milhares de caminhões
que levavam tropas e munições
de uma costa a outra dos Estados Unidos

Ela foi palco da maior mobilização militar da história americana

Nos anos 50 e 60
que finalmente a rota se tornaria um sinônimo mundial de liberdade

Dirigir sem destino por ela
para se aventurar na ensolarada e liberal Califórnia

Livre qualquer pessoa do imaginário dos americanos
get your kicks ou seja bote os pés na estrada
3917 quilômetros de extensão
Chicago Illinois Missouri Kansas Texas Oklahoma Novo México Arizona e Califórnia
Esta foi a grande rota do Rock and roll

Woodstock in the America

América vivia a contradição do American Way of Life
com a contestação da Contracultura

Em que o último fã encharcado de lama
sobre o significado histórico de Woodstock

A cultura hippie
dizia que era um marco final
de uma era dedicada ao avanço humano
Os mais pragmáticos
diziam que era o fim adequado
e ridículo de uma era de ingenuidade

A Feira de Arte e Música de Woodstock em 1969
trouxe mais de 450 mil pessoas
para um campo no Condado de Sullivan
Durante quatro dias uma mini-nação contracultural
As mentes estavam abertas rock and roll drogas e o amor livre
Sextafeira 15 de agosto às 17h07
até a metade da manhã de segunda-feira 18 de agosto

Uma espécie de herança cultural para os EUA e para o mundo
Um adjetivo imediato
que denota o poder dos jovens e os excessos dos anos 60
Foi o melhor dos tempos foi o pior dos tempos
Woodstock custou mais que US$2,4 milhões
John Roberts Joel Rosenman Artie Kornfeld e Michael Lang
De um pequeno festival ao maior espetáculo de rock do mundo

Imprensa underground
Village Voice e a revista Rolling Stone
The New York Times e The Times Herald-Record

Um estado mental um acontecimento
que tornaria a geração um exemplo

Três dias de paz e música rock ao sentimento anti-guerra
Arnold Skolnick e o símbolo de pomba-e-violão
Beautiful People
The Jefferson Airplane Creedence Clearwater Revival The Who
as primeiras bandas contratadas

Contrariedade pelo consevadorismo puritano americano
cabelos longos e roupas surradas
eram associados a política de esquerda anarquista e drogas

As idéias novas sobre reordenar a sociedade soavam ameaçadoras

Mas havia a definição de que o concerto
como uma comunidade temporária para um fim de semana no campo
e dormir ao ar livre sob as estrelas num campo
em forma de bacia um lago ao fundo

Milhares de pessoas chegando fora de hora à comunidade

Para ver e ouvir Joan Baez Arlo Guthrie Tim Hardin Incredible String Band Ravi Shankar Richie Havens Sly & the Family Stone Bert Sommer Sweetwater Quill The Who Canned Heat Creedence Clearwater Revival The Jefferson Airplane The Grateful Dead The Keef Hartley Band Blood Sweat and Tears Santana The Band Crosby Stills Nash & Young Ten Years After Johnny Winter Jimi Hendrix Janis Joplin Joe Cocker Mountain Melaine Sha-Na-Na John Sebastian Country Joe and The Fish The Paul Butterfield Blues Band

Na manhã de segunda-feira 18 de agosto
sob um imenso sol alaranjado
Jimi Hendrix
subiu ao palco brindando com sua interpretação
do hino nacional americano The Star Spangled Banner

Arrancando de sua guitarra
explosões de bombas granadas rajadas de metralhadoras
e roncos de helicópteros numa clara alusão à Contestação c
om a guerra do Vietnã

Aqueles que tiveram o privilégio de viver Woodstock
sentiram-se santificados com uma visão de mundo totalmente diferente


Anos 70 – O sonho Acabado

Os anos 70
começaram com tudo o que havia restado do pós-68

O lixo de Paris e de Praga
O lixo da Maria Antonia e da Candelária
O lixo de Woodstock e o lixo da Conquista da Lua
O lixo da Tortura e da Repressão
O lixo da Guerra Fria

A Guerra Fria tinha ficado mais forte do que nunca
e as revoluções tinham que ser sufocadas pela alienação

É esclarecedor lembrar
que a alienação é um fato não é uma hipótese
A repressão ideológica
e a depressão filosófica
foram marcas no pensamento dos anos 70

O sonho havia acabado

Havia somente o ar da clandestinidade
e da sociedade utópica da contracultura

É também a década do terrorismo a direita e a esquerda
a patrulha ideológica e a patrulha terrorista

Contraste com o engajamento político
e o sonho da comunidade alternativa
com a hegemonia da sociedade de consumo

O rock n Roll nos anos 70
faz parte deste sistema emblemático
que o sonho tinha chegado ao seu fim
por um mundo que precisava viver a cada instante
do seu fim diante do infinito

Anos 80 – 90 – 00 - O sonho perdido


Estas últimas décadas
podem ser consideradas perdidas
que num certo sentido
tem todo sentido

Houveram grandes avanços tecnológicos e científicos
internet computadores celulares realidades virtuais
clonagens genomas DNA Telescópio espacial Hubble
reciclagens biodegradáveis alimentos geneticamente modificados

Sobretudo
avanços econômicos e políticos

mas
foram insuficientes
para aos avanços humanitários e sociais
para a distribuição de renda e desigualdade social
para o combate da fome e miséria
para o crescimento da educação e cultura

Houveram grandes avanços aos terrorismos
aos narcotráficos aos imperialismos aos desequilíbrios ecológicos aos efeitos estufas
principalmente
com as extinções dos animais das florestas e das águas
e surgiram os efeitos das epidemias AIDS gripes aviárias
das intolerâncias raciais e sexuais

Nos anos 80
a Guerra Fria adquire a sua exuberância militar
com Ronald Reagan e a Guerra das Estrelas

Em contrapartida
Gorbatchev distende a política mundial
com a perestroika e a glasnost

O fim da Cortina de Ferro
a queda do Muro de Berlim
a democratização da América Latina

Nova República no Brasil
e do Leste Europeu
Lech Walesa & Solidariedade

Nos anos 90
começaram com o colapso da União Soviética e o fim da Guerra Fria
sendo esses seguidos pelo advento da democracia globalização e capitalismo global

Fatos marcantes
para a década foram a Guerra do Golfo
e a popularização do computador pessoal e a Internet
o advento terrorista
em regiões do Terceiro Mundo
especialmente na Ásia

No século XXI
mais precisamente
em 11 de setembro de 2001

o Ataque ao World Trade Center em New York
começa a Era de Bush e de Bin Laden

A nossa Era
A Era Perdida
A Era neo-liberal

A Mediocridade
A Alienação
O Consumismo

O Conformismo
O Individualismo subjetivo

A crise sócio-político-cultural
de nossa sociedade mundial


Bob Dylan


Na América dos anos 60
em plena crise de identidade surge ao mundo

o seu garoto
poeta judeu errante
discípulo
de DylanThomas & Woody Guthrie

Voz do centro-oeste
Violão e gaita

Poeta
da crise de identidade da América

O ideal de revolução
sentimento político
e a perfeita tradução

América - o movimento beatnik
Jack Kerouac e Allen Ginsberg

Rebelião dos costumes
Liberdade
o preconceito
a valorização da individualidade
o livre arbítrio
a experimentação
a degeneração

Folk-Rock
Blowin’ in the Wind
The Times They Are A Changin
Mr. Tambourine Man

Robert Allen Zimmerman nasceu em 24 de maio de 1941
em Duluth Minnesota
Sendo considerado um dos melhores compositores populares do Mundo
da segunda metade do Século 20

Neto de imigrantes judeus russos aos dez anos de idade
Dylan escreveu seus primeiros poemas
e ainda adolescente aprendeu piano e guitarra sozinho

Começou cantando em grupos de rock
imitando Little Richard e Buddy Holly
mas quando foi para Universidade de Mineapólis em 1959
voltou-se para a folk music
Impressionado com a obra musical do lendário cantador folk Woody Guthrie
a quem foi visitar em New York em 1961

Dylan já lançou mais de 45 álbuns
desde 1962 quando lançou seu primeiro disco
Bob Dylan dedicado ao folk tradicional

Seu segundo álbum The Freewhellin' Bob Dylan 1963
contendo apenas canções de sua autoria
consagrou o músico com o hit Blowin' in the Wind
que se tornou um hino do movimento dos direitos civis

Além desta canções como A hards-rain a gonna-fall
Masters Of War entre outras
tornaram-se clássicas como músicas de protesto
embora Dylan mais tarde recusasse o rótulo de cantor de protesto

Estas músicas que entre outras compostas por ele
abordavam temas sociais e políticos numa linguagem poética
o tornaram um fenômeno entre os jovens artistas folk da época
]levando-o ao estrelato folk
principalmente após sua participação no Newport Folk Festival de 1963
onde foi promovido pela rainha folk da época
a cantora Joan Baez

O sucesso do álbum The Times They Are-A-Changing 1964
apenas consolidou esta posição

Mas logo Dylan mudou de rumos artísticos
afastando-se do movimento folk de protesto
e voltando-se para canções mais pessoais introspectivas ligadas
a uma visão muito particular de mundo

As questões sócio-políticas de seu tempo:
racismo guerra fria guerra do Vietnã
injustiça social cedem espaço
para a temática das desilusões amorosas
amores perdidos vagabundos errantes
liberdade pessoal viagens oníricas e surrealistas
embaladas pela influência da poesia beat

Esta transição se dá entre 1964 e 1966
quando Dylan eletrifica a sua música
passa a tocar com uma banda de blues-rock
como apoio e choca a platéia folk com sua aproximação ao rock

Na época muitos ignoravam
que Dylan já havia tocado rock'roll na adolescência
e apreciava artistas country como Johnny Cash
que já trabalhavam com instrumentos elétricos desde os anos 50

O sucesso dos Beatles
e demais roqueiros britânicos na releitura do rock americano
também chamaram-lhe a atenção

Em compensação foi aclamado pela crítica
ampliou o seu público tornando-se cada vez mais influente
entre artistas contemporâneos
e lançando os mais apreciados discos de sua carreira
com uma série de canções clássicas de seu repertório:
Maggie's Farm Subterranean Homesick Blues Gates of Eden It's Alright Ma Mr. Tambourine Man Ballad Of A Thin Man Like a Roling Stone Just Like a Woman lançadas em seus álbuns mais inspirados:
Bringing It All Back Home e Highway 61 Revisited de 1965
e o duplo Blonde on Blonde de 1966

Em maio de 1966
após uma tumultuada turnê pela Inglaterra
devido ao formato rock dos shows
Em seu retorno
surpreendeu público e crítica com o álbum
John Wesling Hardin
fortemente influenciado pelo country
tendência que acentuou-se no trabalho seguinte
Nashville Skyline
que trouxe o clássico Lay Lady Lay
para as paradas

Limitando-se a apresentações esporádicas
das quais a mais importante
foi sua participação no
Festival da Ilha de Wight em agosto de 1969
além de sua participação no Concerto para Bangladesh
organizado por George Harrison em 1971

Dylan só voltaria a realizar turnês em 1974
Forever Young Before the Flood
Na retomada da carreira de forma mais ativa
Dylan produz Blood On Tracks 1975
e Desire 1976
seus melhores discos nos anos 70
aclamados pela crítica

Deste último a canção Hurricane
baseado na história de Rubin Carter
um boxeador negro preso injustamente foi um sucesso espetacular

Mas após seu divórcio em 1977
da esposa Sara Lownes com quem era casado desde 1965
Dylan viveu uma grande crise pessoal
que refletiu-se em seu trabalho artístico

Depois de uma turnê mundial em 1978
em parte registrada no duplo ao vivo At Budokan
gravado no Japão ele voltou-se para a música gospel
ao converter-se e se filiar a uma igreja

Foi o período mais controverso e polêmico
de sua carreira principalmente por Dylan
afastar-se de seu repertório clássico e investir em canções religiosas

Com Infidels de 1983
Dylan afasta-se da fé cristã
volta-se inesperadamente para as suas raízes judaicas
e parece reencontrar certo equilíbrio artístico

Bem recebido pela crítica é considerado seu melhor álbum desde Desire
Depois de uma turnê com a lendária banda californiana Grateful Dead
ele lança o álbum Oh Mercy 1989
elogiado pela qualidade inesperada das canções e volta às paradas
com o super-grupo Traveling Wilburys
formado com os amigos George Harrison Tom Petty além de Jeff Lynne e Roy Orbison

Para comemorar e fazer um balanço de seus 30 anos de trajetória
volta a gravar folk tradicional acústico
sem importar-se com o pouco apelo comercial deste gênero nos dias atuais

Depois do acústico produzido para a MTV em 1994
Dylan só voltaria com um CD de inéditas em 1997

O álbum Time Out Of Mind
ganharia vários prêmios Grammy
e foi considerado por muitos uma nova ressurreição artística
confirmada pela qualidade de Love and Theft 2004

Neste mesmo ano a revista Rolling Stone
publicou uma lista com as 500 melhores músicas da história
e em primeiro lugar ficou Like A Rolling Stone
Atualmente registra-se um novo interesse pela vida e obra de Dylan
com o lançamento oficial de várias gravações piratas
e mais recentemente com o documentário No Direction Home de Martin Scorsese
que flagra os anos iniciais de sua carreira 1961-1966
Em 2006 um novo álbum Modern Times

Por ser suspeito
sempre estou sintonizado
com a revolução dylanesca

sou poeta
desta revolução
assim como o poema explica

A cada palavra
escorre uma lágrima
algo que não se sabe
através do mundo

Talvez
eu morra na encruzilhada
no coração dos homens
mesmo sendo um homem
de uma tristeza permanente
com sangue
nas folhas e raízes
no jardim da casa do sol nascente

Tenho que morrer
nas minhas pegadas

porque tudo é insano !

E a resposta está no vento
Tenho que andar em muitas
estradas até me entender como homem

E não me adianta perguntar nada

Tudo é insano !

Eu tropeço em montanhas
nado em mares de mortos
a chuva forte já está caindo

As minhas mãos estão vazias
e os meus pés estão na lama

Estou sozinho
entre os Senhores da Guerra
que durante a pálida tarde
fabricam bombas para matar

E nem os direitos civis
conseguem deter a fúria
destes Senhores da Guerra

Quem dirá eu?

Espero que a resposta
seja assoprada pelos ventos

As armas estão escondidas
no escuro da noite
o tempo passa
e acaba com todos os meus sonhos

Tudo é insano!

Os homens deveriam ser iguais

A chuva é forte nem os sinos das igrejas
terminam com os trovões

Não estou com sono
e não tenho para onde ir
somente o eclipse do sol
é a minha estrada

Sou uma pedra sem destino
que tem que mendigar
a próxima refeição

Senão
eu não vivo!

O céu está dobrando sobre mim
preciso acender um fósforo
e por conta própria
começar tudo de novo
na ventania do meu tempo

Largado no fim do mundo
Sou o admirável
pós-moderno vagabundo

Entre estradas e caminhos
na solidão do mundo
encontro Bob Dylan

Judeu errante de Brancaleone,
entre estandartes e bandeiras
proclama com toda rebeldia

- Vá se mande
junte tudo o você puder levar

Ande
tudo que parece seu
é bom que agarre já

As pedras do caminho
deixem para trás

Esqueça os mortos
que não levantam mais

O vagabundo esmola pela rua
vestindo a mesma roupa que foi sua

Risque outro fósforo
outra vida outra luz outra cor

A cada lágrima
escorre uma palavra
algo que não se sabe
através do mundo

Cássia Eller


Cássia Rejane Eller
foi uma cantora e violonista
do rock brasileiro dos anos noventa

Caracterizada por sua voz grave
e pelo seu ecletismo musical
interpretou canções
de grandes compositores do rock brasileiro
como Cazuza e Renato Russo
além de artistas da MPB
como Caetano Veloso e Chico Buarque
passando pelo pop de Nando Reis
e o incomum de Arrigo Barnabé e Wally Salomão
até sambas de Riachão
e rocks clássicos de Jimi Hendrix e Beatles

Teve uma trajetória musical
bastante variada
porém curta
com algo em torno de dez álbuns próprios
no decorrer de 12 anos de carreira

Com uma presença de palco
bastante intensa
Cássia Eller
assumia a sua preferência
por álbuns gravados ao vivo
e era constantemente convidada
para participações especiais
e interpretações encomendadas

Outra característica
é o fato de ela ter composto
apenas uma canção das que gravou
ou seja
assumindo uma postura de intérprete declarada

Vale lembrar que ela
chegou a gravar dois álbuns
em homenagem a Cazuza
sendo um deles apenas com músicas dele
e o outro com a maioria

Era homossexual
e morava com sua parceira
Maria Eugênia Vieira Martins
com a qual criava o filho Francisco

Teve grandes problemas com álcool e drogas

Faleceu em 29 de dezembro de 2001
por parada cardiorrespiratória
possivelmente decorrente de estresse

A hipótese de overdose
como causa de sua morte
apontada inicialmente
não foi confirmada pelos laudos periciais
do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro

A melhor compreensão
e verdadeira tradução
de quem era Cássia Eller
está na canção de Péricles Cavalcanti

Eu Queria Ser Cássia Eller
Eu poderia ser um padre ou um dentista
Um arquiteto um deputado ou jornalista

Eu poderia ser ator e me dar bem
Ser um poeta que escreve versos como ninguém
Eu poderia ser um general da banda
Uma modelo um herói da propaganda
Eu poderia ser escravo do trabalho
Ser um banqueiro um estilista do baralho
E não há nenhuma outra hipótese
Que eu não considere
mas o que eu queria mesmo ser
É a Cássia Eller

Eu poderia ser um mágico ilusionista
Um domador um gigolô um psicanalista
Eu poderia ser um campeão de golfe
De luta-livre de xadrez e do que quer que fosse
Eu poderia ser um escritor da moda
De quem se fala muito mal e ele nem se incomoda
Eu poderia ser um alto funcionário
Um balconista ou um bandido sangüinário
E não há nenhuma outra hipótese
Que eu não considere mas o que eu queria mesmo ser
É a Cássia Eller

Eu poderia ser um físico nuclear
Um astronauta um explorador do mar
Eu poderia ser um rei do futebol
Um vagabundo ou um professor de "scol"
Eu poderia ser um grande cineasta
Um detetive e ter segredos numa pasta
Eu poderia ser um monge do Nepal
Um jardineiro um marinheiro etc e tal
E não há nenhuma outra hipótese
Que eu não considere mas o que eu queria mesmo ser
É a Cássia Eller

Ou como revela o poeta Arnaldo Antunes em 2001
O rugido do mar
A rocha
A lambida da fera
A guitarra
O raio surdo antes do trovão
A faísca que escapa do fio
Tudo ali no canto de Cássia Eller

A brasa do cigarro brilhando na tragada
com a intensidade do que não dura como a nota sílaba
Tudo sob controle sobre descontrole sob controle
Sua voz parece um corpo material de carne e osso e músculo e sexo
Um corpo opaco massa compacta de graves e agudos
soando juntos como um soco um trago uma onda de éter na cabeça
Como pode isso emocionar assim?

E eu pela última vez sou suspeito
para fechar as personalidades do RocK com a Cássia Eller

Tem uma questão pessoal
Cássia Eller foi uma amiga pessoal
Por isso ela termina o meu livro

Ela gostava de me ver falar!
E depois me chamava de carcananno...
Tive a honra de trabalhar na sua estória!
Nunca esquecerei quando ouvi pela primeira vez Eleonor Rigby em 1988 na voz de Cássia Eller

Eu fiquei apaixonado quando ouvi as músicas de Jimi Hendrix
Ela foi a minha voz perdida desde os anos 60
Sofri muito com a morte dela
Chorando toda a minha mágoa...
Foi quando escrevi este poema
Ainda na última semana de 2001 • A partida da Cássia Eller

Estava passivamente aguardando
a chegada do ano novo
com as perspectivas
de que melhores notícias
estariam
após a tragédia do 11 de setembro 2001
porém
houve uma pessoal
e outra impessoal no dia 29 de dezembro

Sábado
quando fui surpreendido
pela notícia da morte
de minha amiga Cássia Eller

Comovido pela memória
fui obrigado a chorar a noite inteira
entre cervejas cigarros e amarguras

Pelo começo da tarde
havia lido pela Internet
com depoimento de seu atual empresário
de que ela teria sido internada
devido a indisposições estomacais
e deveríamos aguardar um repouso
devido ao estresse da turnê

Até então tudo bem!

Logo no começo da noite
a minha estrela falece
supostamente de overdose

Entendo que a verdade
foi devido à pressão
o que ela não suportava por nada nesta vida

Essa era a sua grande virtude

A irreverência personificada

Tinha o estigma
de que deveria entrar nas estruturas
e fazer explodir em poesia e musicalidade

Assim a entendi numa noite oculta em 1988
em que o Wanderson Clayton Eller
o seu tio
um produtor cultural
que trouxe a nossa estrela
para participar de um evento
do artista plástico Antônio Peticov
no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Era um público pequeno e seleto
em que André Peticov Jr.
propiciou a presença de nossa estrela

Foram convidadas poucas pessoas
em torno de 50
no máximo
entre produtores artistas e jornalistas

Ainda tenho a cena de timidez aguda
e da mineirice de Cássia Eller
aguardando a hora de subir
no modesto palco para voz e baixo

Sempre protegida por Eugênia

Estávamos todos ansiosos
pela descoberta da artista
do nosso grande amigo
Wanderson Clayton Eller
apesar de ser sua sobrinha
acreditávamos em suas palavras
de que era mesmo uma estrela

Chegada à hora
em que iniciou sua apresentação
fiquei e ficamos arrebatados
com as interpretações
de Por Enquanto e Eleanor Rigby

Naquele momento
entendi que ela trazia
os traços contestadores dos anos 60
algo que se misturava
com Dylan Janis Joplin Jimi Hendrix
Beatles e os Rolling Stones

Era como se tivéssemos encontrado
o pote de ouro do arco-íris do mundo pop-rock

Foi uma noite emocionante para todos nós

E ficou selado que estaríamos disponíveis
para alavancar a carreira promissora
daquela moleca com voz de trovão

Projetos e idéias
proliferaram em nossas cabeças

Até então
a nossa estrela era uma cantora underground total

Num segundo momento
estava com o artista plástico Ivald Granato
que produzia a festa da Bienal
no antigo Projeto SP – Arnaldo Waligora
em que aglutinaria a inteligência cultural de São Paulo
com o show do mestre Jorge Benjor

Foi quando Ivald Granato me perguntou
se pôr acaso
eu conhecia alguma artista nova
mas que fosse promissora e do caralho para abrir o evento

Claro!
Eu tinha Cássia Eller

Pediu-me algum registro fonográfico
o que neguei de imediato
pois não existia
e disse que ele teria que acreditar
na minha certeza de que ela não iria decepcionar

Trato feito!

Encaminhei o Wanderson Clayton Eller
para dar início à produção de um show profissional
o que seria nossa primeira grande vitrine
para nossa futura estrela

E assim se sucedeu...

Luiz Paulo Lucena se encarregou
de fazer a banda liderada por Mário Manga

Foi um sucesso!

Tínhamos dado a largada

Posteriormente
ensaios repertórios estúdios e a fita demo

Ir atrás da gravadora

Foi quando José Luiz Toledo matou a charada

Estamos em 1990

Tudo se iniciou para projetarmos
a nossa estrela da rebeldia
dominada pelas rupturas das estéticas

Chutando o Balde!

Era uma mulher intensa
pelo amor singelo da naturalidade e do desejo de ser

Tínhamos amor e ambição
pelo carisma do poder
desta menina má com meias três quartos
e que era poeta
que ainda não havia aprendido a amar

Mas ela tinha
a tarde inteira
para tomar o seu
e trocar os cheques

Tinha tempo para cantar
e Deus deu um pouco de malandragem
para ela andar nas ruas

E conhecer a verdade

Eu
para falar a verdade
queria mesmo era ser a Cássia Eller

Hoje, 29/30/31 de dezembro de 2001
dias da sua morte
choro copiosamente sozinho
entre biritas
cigarros e botecos das esquinas

Lugares insólitos
por onde algumas vezes nos encontramos

Lugares anônimos
por onde nos encontramos algumas vezes

Era uma beatnik assim como eu

Por isso eu choro

Não por ser uma voz famosa da televisão
mas por ser a porta-voz da contestação
na música contemporânea

Alívio de nossas almas pecadoras

O meu ano novo é de silêncio e recolhimento

Porque alguma coisa aconteceu!

Deus te abençoe
minha Estrela